A IMPORTÂNCIA DO TOQUE NO DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO
O desenvolvimento de nosso sistema nervoso depende do tipo de estimulação cutânea, tátil recebida enquanto ainda quando somos bebês, depende, portanto, da quantidade de carinho que recebemos.

Sendo assim, a pele é o órgão sensorial primário para o ser humano ainda bebê, responsável pela ligação afetiva. As respostas ao toque é o elemento crítico para o prosseguimento do crescimento e do desenvolvimento.
O progresso do desenvolvimento nos primeiros seis meses de vida está sob a influência da estimulação recebida da mãe, do pai, ou da pessoa que assumiu tal papel.
É enorme a necessidade que o bebê tem de contato corporal, se essa necessidade não for adequadamente suprida mesmo que as demais sejam, ele sofrerá.
Crianças que sofrem de carência afetiva apresentam o crescimento tanto físico quanto mental comprometido.
Os mecanismos fisiológicos envolvidos na privação de contato estão nitidamente relacionados aos implicados na privação materna e nos comprometimentos emocionais, sejam quais forem os meios pelos quais são induzidos.
O processo do parto representa uma prolongada série de choques que todo bebê experimenta, e nada existe com poder maior para amenizar os efeitos destes choques que acariciar e amamentar o bebê. Se receber através de sua pele a tranquilização necessária, os efeitos do choque do nascimento serão gradualmente mitigados. Mas se o bebê não for agraciado com essa oportunidade de aliviar o impacto do choque, este continuará agindo e afetará, com intensidade maior ou menor, seu crescimento e desenvolvimento.
Choque - distúrbio molecular produtor de perturbações metabólicas que contribuem substancialmente para a ansiedade.
A circulação tende a retardar-se, a pressão do sangue cai, as células vermelhas do sangue tendem a aglutinar-se, o suprimento de oxigênio aos tecidos do corpo fica reduzido, existe um definhamento geral, e isto vai até que o coração pára e cérebro não recebe mais estímulos. Isto, evidentemente, é o último e extremo estágio do efeito de um choque que não tem alívio. Entretanto o processo é reversível pelo uso de volumes de sangue, de antiácidos, de oxigênio, de corticosteróides, de vaso dilatadores, de soluções produtoras de energia, através da estimulação cutânea, dando-lhe todo o cuidado amoroso de que necessita.
O Sentido do TOQUE
Nos primeiros dias ap ós o nascimento, o bebê se dedica a recuperar-se do choque do nascimento e, nos meses seguintes estará ocupado com a organização de suas percepções táteis, visuais, auditivas, gustativas, e assim por diante.
Baseando-se nestas experiências, o bebê começa a se diferenciar do mundo que não é ele mesmo. Os objetos que a princípio pareceram não ter permanência tornam-se agora os primeiros invariantes conceituais de seu equipamento mental.
A diferenciação do si mesmo, em relação ao mundo dos objetos é uma conquista notável e para sua consecução o tato desempenha um papel de destaque.
Posto que a comunicação tátil é essencialmente um processo interativo, desde o primeiro contato com as mãos da pessoa que tocam o corpo do bebê até o contato com o corpo da mãe, qualquer comprometimento significativo nessas experiências de contato pode desencadear um distúrbio ou fracasso profundo nos futuros relacionamentos interativos, que eventualmente pode se manifestar como autismo, esquizofrenia, assim como uma variedade de outros distúrbios de comportamento, como por exemplo os problemas respiratórios, asma e assemelhados.
O tipo de estímulo tátil vivido durante a infância produz as mudanças adequadas a nível do cérebro e também afeta o crescimento e o desenvolvimento dos órgãos terminais na pele. |
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O indivíduo carente a nível tátil, aquele que não recebeu carinho, sofrerá de uma deficiência de “feed-back” da pele para o cérebro, que interfere gravemente em seu desenvolvimento como ser humano.
O vínculo com o próprio corpo é a base dos vínculos com as outras pessoas - denominada socialidade, que é conduzida pela proximidade entre mãe (ou pai ou pessoa que os substitui) e filho durante o primeiro ano de vida.
Este relacionamento corporal íntimo é a base das sensações positivas a respeito de si mesmo, e a sensação de um vínculo corporal permite a consolidação de uma sensação de auto-estima. Fundamentalmente, a fonte da auto-estima é o amor.
O bebê usa seu corpo para expressar seu amor e suas emoções.
Quanto mais elevada a auto-estima, mais intimamente se comunica através do tato.
SOLIDÃO - estado da ausência de conexão, da inexistência de contato com outros, da vontade de se estar com uma pessoa que não está lá, de não se ter alguém para quem se voltar e que seja capaz de validar a própria humanidade essencial de cada um.
A solidão pertence exatamente ao mesmo tipo de ansiedade de separação que as crianças vivenciam quando são privadas, por qualquer lapso de tempo, do contato com suas mães. É a ansiedade de separação que nos leva, adolescentes e adultos, a ficarmos inquietos quando estamos sozinhos por um período considerável de tempo, e a procurarmos a todo custo a companhia de outras pessoas. É essa privação do contato com as pessoas que torna o confinamento solitário uma das punições mais cruéis, mesmo quando acontece dentro do recinto da casa.
DISTÚRBIOS DA PELE - No caso de pessoas afetadas por qualquer doença ou distúrbio de pele, o toque da mão humana é especialmente importante e por isso alguns dermatologistas recomendam que, quando se aplicar um medicamento, sua administração deve ser feita manualmente, de modo que a pessoa sinta uma carícia ao invés da aplicação fria de um chumaço de algodão ou de um palito de madeira. Uma vez que muito poucas doenças ou distúrbios de pele são infecciosos, o aplicador geralmente não precisa temer pegar a mesma doença.
A crença no poder curativo da imposição das mãos ainda é muito popular em diversos segmentos do mundo civilizado.
Pelo menos 40% das doenças de pele têm um componente emocional que, não sendo tratado, fará com que o problema cutâneo se torne crônico.
A necessidade de compartilhar a própria vida com outras pessoas, tecendo a trama saudável dos contatos humanos, que é uma necessidade básica tão característica a nossa espécie, reflete-se no espelho que é nossa pele. Um contraste notável com a pele saudável é o que se constata na pele da criança que sofre de privação materna e na do adulto abandonado. O adoecimento da pele é geralmente a expressão de problemas emocionais profundos.
ALERGIAS - Quanto aos distúrbios alérgicos, eczemas surgem em certos bebês predispostos porque estes não conseguem obter de suas mães verdadeiras ou substitutas o adequado contato físico tranquilizador (carícias e aconchego do colo).
Feita uma pesquisa com 25 mães com filhos menores de dois anos, os quais sofriam de eczema, descobriram que a maioria desses bebês tinham mães que não conseguiam dar aos filhos um quantidade adequada de carinho.
MEDO - Para os que não tiveram colo suficientemente amoroso e seguro em seus primeiros anos de vida, o medo de cair não é uma decorrência inesperada em épocas posteriores da vida.
O medo de cair tanto de lugares altos como no sono, está relacionado ao medo de “cair de amores”, apaixonar-se.
Quando a pessoa apresenta algum medo exacerbado ou problema emocional, geralmente se constata a ansiedade a respeito de perder o controle completo do corpo e de suas sensações. Essas pessoas tem tais temores como uma sensação de “estarem afundando” e é possível que então se sintam aterrorizados e absolutamente imobilizados.
Essas sensações são o prazer que as criancinhas buscam nos balanços, escorregadores e diversões semelhantes. A criança saudável adora ser jogada para o alto e ser apanhada nos braços do pai ou da mãe que a espera.
A criança que tenha sido satisfatoriamente estimulada a nível tátil não necessitará agarrar-se e apreciará lugares altos, emoções fortes e ser balançada. Por outro lado, a criança que tenha sido frustrada em suas necessidades de agarrar-se, reagirá a essa experiência traumática com uma necessidade excessiva de apegar-se, de agarrar-se com medo do instável e do apoio que pode lhe faltar.
MOMENTOS DE MATERNALIDADE - A estimulação tátil é uma experiência fundamentalmente necessária ao desenvolvimento comportamental saudável do indivíduo.
A impossibilidade de receber estimulação tátil adequada nos primeiros anos de vida resulta numa impossibilidade crítica de estabelecer relações de contato com outras pessoas. A gratificação dessa necessidade, mesmo em adultos, pode servir para dar-lhes a tranqüilidade de que precisam a convicção de que são desejados e valorizados e, deste modo, envolvidos e incluídos numa rede de valores em conexão com as outras pessoas.
A pessoa desajeitada em suas relações de contato com os outros é desajeitada em suas relações corporais, em seus apertos de mão, nos abraços, nos beijos, em geralmente todas as suas demonstrações táteis de afeto, e isto se dá principalmente porque sofreu uma carência em termos de relações interativas de contato corporal com seus pais biológicos ou substitutos.
Aquele responsável pela criação da outra pessoa lhe falhou no sentido da maternalidade que é definida como a gratificação materna das necessidades que o bebê tem de cuidados corporais e estimulação agradável através de atitudes que também dão à própria pessoa oferecedora de carinho, momentos de satisfação.
A pessoa maternal provê não só ao filho gratificações como também obtém gratificação por fazê-lo, na medida em que dá ao bebê o íntimo contato físico e a proteção de que ele precisa para crescer e desenvolver-se. Nada mais é que um dar e receber afeto.
Distúrbios psicossomáticos aparecem com mais probabilidade em pessoas que sofrem uma carência de momentos de maternalidade, hipótese esta que tem sido muitas vezes confirmadas.
Um ingrediente básico da maternalidade é o contato físico íntimo, os abraços, afagos, carícias, o cólo, embalar, beijar e outras formas de estimulação tátil que uma pessoa maternal dá ao seu filho.
A restrição ou privação de oportunidades de experiências tátil e manipulativa no começo da vida do bebê tem a probabilidade de comprometer seu comportamento tátil e afetivo posterior.
SOLUÇÃO - O ser humano é um ser social, que definitivamente não sobrevive isolado.
Precisamos sentir, tocar, sermos ensinados, sobretudo precisamos nos relacionar afetivamente.
Pessoas que têm problemas de relacionamento afetivo com aqueles que deveriam, pela ordem natural do ciclo biológico, protegê-los, refletem problemas que levam a um círculo de desafeto, pois quem não recebeu amor não saberá dá-lo.
Crianças que não tiveram das mães e pais o carinho que merecem não dão carinho e mais tarde têm dificuldade em se relacionar com seus próprios filhos.
Pesquisas científicas levam anos para descobrir o óbvio.
Vai chegar a hora em que o ser humano vai admitir que existimos para amar e que o amor é a solução para amenizar, resolver e até mesmo evitar nossos problemas, físicos, psíquicos e emocionais.
O amor não define, mas se resume na necessidade de tocar e ser tocado.
MASSAGEM PARA BEBÊ
O bebê que estava quentinho na barriga da mãe, mais do que nunca precisa receber muito carinho e segurança, além de alimentação sadia e adequada.
O bebê que recebe massagem apresenta um desenvolvimento neurológico, sensivelmente maior, maior ganho de peso, melhor desenvolvimento mental que os bebês que recebem atendimento de rotina. Foi comprovado cientificamente que o toque é muito saudável para o bebê.
A massagem deve ser feita com o bebê sem roupa e em um lugar sem muito barulho, tranquilo, deve ser feita 4 vezes por dia, por 3 minutos de preferência antes do sono e depois do banho, não deve ser aplicada após a alimentação. Deve ser feita de cima para baixo, da cabeça em direção aos pés e deve ser feita de maneira simétrica.
A massagem faz com que haja um compartilhamento de energia entre quem massageia e quem é massageado.
Ajuda a relaxar.
Alivia as tensões e a ansiedade.
Evita o uso de remédios para acalmar o bebê.
Melhora a digestão, circulação e aumenta a resistência às doenças.
Ajuda a acalmar as cólicas e diminui o estresse entre pais e o bebê.
Tonifica os músculos do bebê, quando fica deitado por muito tempo.
Faz com que o bebê tenha um sono bem tranquilo.
Ajuda a melhorar o estresse na época da dentição.
O toque humano é como um alimento vital para o bebê.
Se não houver uma nutrição correta, o bebê está prejudicado. O mesmo acontece com o toque carinhoso. Se houver falta dele, o desenvolvimento emocional e físico será prejudicado.
Podemos ter também outras formas de aproximação com o bebê, como abraçar, segurar, embalar, que fazem aumentar nossa ligação com ele.
A massagem pode continuar sendo aplicada durante o crescimento da criança e em qualquer idade e por toda a vida.
ALÍVIO DAS CÓLICAS
Mãos paralelas, deslize-as pelas laterais do tronco até a pelve, suba novamente, um mão de cada vez e repita o movimento mais três vezes.
Descer as duas mãos juntas pelas costas em direção ao bumbum, repita mais três vezes, sempre retornando ao início uma mão de cada vez.
Massageie a perna com uma mão, enquanto a outra toca algum lugar do corpo da criança. Quando chegar a sola do pé, pressione-a com seu polegar, acompanhando a curva até os dedinhos. Repita três vezes de cada lado.
SHANTALA
As mãos trabalham uma depois da outra.
Partindo da base do peito, onde se iniciam as costelas, as mãos descem até a parte de baixo da barriga.
Você traz as mãos, uma após a outra, de volta para você.
Perpendiculares ao corpo do bebê, aqui as mãos trabalham em toda a sua largura.
Uma vez mais elas se sucedem em ondas parecendo esvaziar a barriga do bebê.
Agora, a sua mão esquerda segura os pés do bebê mantendo as pernas verticalmente esticadas
E é o antebraço que ao prosseguir no mesmo vaivém sempre de alto a baixo isto é de volta para você continua a massagear a barriga.
Fisioterapeuta: Jeannine de Paula (CREFITO: 2/40397_F)
Administração: Nayana Ferreira